A dosimetria de ruído é uma das avaliações mais importantes da Higiene Ocupacional — e também uma das mais negligenciadas. Ela mostra, com precisão legal e técnica, se um colaborador está realmente exposto a níveis perigosos de ruído durante o expediente.
Se a sua empresa tem máquinas, equipamentos ou ambientes ruidosos, esse exame é indispensável para evitar multas, caracterizar (ou eliminar) insalubridade e proteger a saúde auditiva dos trabalhadores.
Neste artigo, você vai entender os seguintes assuntos relacionados à dosimetria de ruído: o que é, como funciona, quem precisa, quais normas se aplicam, os erros mais comuns, um exemplo real de economia e como iniciar o processo corretamente. Continue lendo para saber mais.
O que é a dosimetria de ruído?
A Dosimetria de Ruído é o processo de medição e avaliação da exposição ocupacional do trabalhador ao ruído durante sua jornada de trabalho.
Ela é diferente de uma medição pontual com decibelímetro.
Enquanto o decibelímetro registra apenas “um instante”, o dosímetro acompanha o trabalhador ao longo do expediente, registrando picos, pausas e variações reais do ambiente.

Por que isso existe?
Para determinar:
- Dose de Exposição
- Nível de Exposição Normalizado (NEN)
São esses dois parâmetros que mostram, de forma legal e precisa, se a exposição ultrapassa o Limite de Tolerância de 85 dB(A) para 8 horas de trabalho definido pela NR-15.
Quando uma empresa precisa fazer a dosimetria de ruído?
A dosimetria é recomendada para empresas que:
- possuem ruído acima de 80 dB(A);
- possuem atividades com dinâmicas de trabalho variadas;
- precisam caracterizar insalubridade, atualizar o LTCAT, ou definir ações do PGR.
Setores que normalmente precisam
- Indústrias Metalúrgicas e Mecânicas: Prensas, estamparia, usinagem.
- Construção Civil: Marteletes, serras, geradores.
- Setor Têxtil: Tear, fiação, grande quantidade de máquinas.
- Gráficas: Impressão rotativa, acabamento.
- Logística: Compressão, exaustão, empilhadeiras.
- Indústria Alimentícia: Moedores, embaladoras, linhas de produção.
Se o ambiente exige que o trabalhador eleve a voz para ser ouvido e há variações de ruído ao longo da jornada, a dosimetria é recomendada.
| Setor | Fontes de Ruído | Exemplo |
|---|---|---|
| Metalurgia | Prensas, estamparia | Ruído de impacto |
| Construção | Martelete, serra | Ruído intermitente |
| Gráfica | Impressoras | Exposição contínua |
| Têxtil | Tear e fiação | Máquinas numerosas |
| Logística | Empilhadeiras | Alertas sonoros |
A dosimetria é uma avaliação de Higiene Ocupacional feita por profissional qualificado.
Equipamento Utilizado: o Dosímetro
Pequeno, portátil e fixado próximo ao ouvido (colarinho ou lapela). Ele acompanha o trabalhador durante o expediente real.
A Coleta feita pelo dosímetro de ruído
Durante a dosimetria de ruído, o técnico responsável pela avaliação:
- acompanha início e fim da medição;
- documenta as atividades realizadas,
- garante a integridade do processo para que o NEN seja confiável.
O resultado é uma “fotografia” real da exposição auditiva do trabalhador.
Quais normas são utilizadas na dosimetria
No Brasil, são utilizadas basicamente a Norma Regulamentadora NR-15 e a Norma de Higiene Ocupacional NHO-01 da Fundacentro
- NR-15 – Anexo 1 (Limites de Tolerância): Limite de 85 dB(A) para 8h de jornada. Usa Taxa de Duplicação de 5 dB. É a norma legal para insalubridade
- NHO-01 – Fundacentro: Metodologia mais conservadora. Usa Taxa de Duplicação de 3 dB. Utilizada para prevenção e aposentadoria especial (LTCAT).
O dilema prático
- NR-15 → referência legal trabalhista
- NHO-01 → referência técnica preventiva e previdenciária
Um bom profissional utiliza ambas para elaborar uma análise completa e segura.
Riscos do ruído para o trabalhador
Destacamos alguns dos riscos importantes relacionados à exposição ao ruído.
- PAIR – Perda Auditiva Induzida por Ruído: Irreversível. Danifica as células sensoriais do ouvido.
- Zumbido (Tinnitus): Ruído permanente interno.
- Riscos sistêmicos: Estresse, irritabilidade, dificuldade de concentração, aumento do risco de acidentes, possíveis danos cardiovasculares
Riscos do ruído para a empresa
- Multas do Ministério do Trabalho: Por ausência de laudos, dosimetria ou EPI adequado.
- Processos Trabalhistas: Indenização e pensão por perda auditiva (PAIR).
- Aumento do FAP: Afastamentos por ruído elevam o RAT/FAP.
O que o laudo de dosimetria entrega?
O laudo de dosimetria fornece:
- Dados Técnicos.
- NEN – Nível de Exposição Normalizado.
- Dose de Ruído.
- Conclusão Legal.
- Caracterização (ou não) da insalubridade.
- Enquadramento para aposentadoria especial.
- Plano de Ação.
- O mais importante: EPC, Controles administrativos, EPI adequado (sabendo a atenuação necessária).
Como a empresa deve usar essas informações?
- Atualizar PGR.
- Atualizar PCMSO.
- Comprar EPIs com CA e atenuação adequados.
- Implementar um Programa de Conservação Auditiva (PCA)
Erros comuns na gestão da exposição ao ruído
Após realizar a dosimetria, é preciso aplicar medidas de controle conforme os graus de exposição. Um erro é implementar inicialmente o uso de EPI protetor auricular. Este equipamento deve ser a última medida a ser implementada. Além disso, o EPI para ser considerado eficaz, precisa ser fornecido respeitando-se o disposto na Norma Regulamentadora NR-6, bem como é necessário realizar o teste de vedação (Fit Test).
Com avaliar um bom serviço de dosimetria de ruído?
Nós da Alfaseg SST consideramos que um serviço realmente profissional de dosimetria de ruído deve ter:
- Metodologia rigorosa: uso de dosímetros calibrados e conformidade NHO-01 + NR-15.
- Experiência do técnico: saber identificar atividades atípicas para não distorcer o NEN.
- Análise preditiva: o laudo precisa orientar decisões reais, não ser apenas um documento burocrático.
Exemplo de economia que pode ser feita com o serviço de dosimetria de ruído
Considere o caso hipotético de uma indústria de embalagens. O PGR antigo considerava toda a área insalubre. Após separar os trabalhadores expostos em Grupos de Exposição Similar (GSE), foi descoberto que a parte da área operava com NEN = 83 dB(A). Ou seja, com valor abaixo do limite de tolerância legal.
O adicional de insalubridade foi eliminado para 15 colaboradores.
Resultado:
Economia anual superior a R$ 35.000,00
Intervenções focadas apenas na linha realmente crítica
Isso mostra como a dosimetria evita gastos desnecessários e aumenta a precisão da gestão de riscos.
Como começar a fazer a dosimetria de ruído
- Reconheça o risco: revise o PGR e identifique funções com ruído perceptível.
- Contrate especialistas: não confie apenas em equipamentos alugados — o processo exige metodologia.
- Priorize setores críticos: comece por áreas com maior exposição ou histórico de PAIR.
Conclusão: A Dosimetria é Investimento, Não Custo
A dosimetria de ruído protege a saúde auditiva dos trabalhadores, reduz custos da empresa, evita multas, elimina insalubridade indevida e garante conformidade legal.
Se a sua empresa precisa realizar o procedimento, a Alfaseg SST está pronta para ajudar com metodologia rigorosa, equipamentos calibrados e análise aprofundada que evita erros e garante segurança jurídica.
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